Franquia de moda infantil pode valer a pena para quem gosta de varejo, sabe lidar com estoque e tem um ponto com fluxo de famílias. O público renova as roupas com frequência, mas o franqueado corre o risco de coleção parada. Este guia reúne os pontos a favor, os riscos e as perguntas certas antes de escolher uma marca da lista de franquias de moda infantil.
Os dados citados vêm da base da LBF, que reúne o que marcas e portais de franchising divulgam. Confirme tudo na Circular de Oferta de Franquia.
Pontos a favor
- Recompra natural. Criança cresce e perde a roupa em poucos meses, o que traz o cliente de volta mesmo sem mudança de moda.
- Presente como motivo de compra. Aniversários, nascimentos e datas como Dia das Crianças e Natal geram vendas de quem não é pai nem mãe.
- Fábrica por trás da marca. Redes como Lilica & Tigor, Milon e Tip Top pertencem a confecções, o que costuma garantir abastecimento e coleções regulares.
- Operação simples. Não há cozinha, equipamento caro nem mão de obra técnica. A loja depende de atendimento, vitrine e estoque.
- Investimento moderado. Nenhuma das 9 marcas que divulgam valores passa de R$ 1 milhão, e seis delas têm valor inicial entre R$ 250 mil e R$ 340 mil.
Riscos e pontos de atenção
- Estoque e grade. Cada modelo tem muitos tamanhos. Sobra de numeração errada vira liquidação.
- Sazonalidade. Coleções de verão e inverno, volta às aulas e datas comemorativas concentram as vendas. Clima fora do esperado atrapalha a coleção da estação.
- Remuneração pouco transparente. Os números divulgados vão de 5% sobre compras (Lilica & Tigor) a 17,5% (Piticas) e 30% (Tip Top). Entenda exatamente o que cada percentual significa. Os detalhes estão em quanto custa abrir uma franquia de moda infantil.
- Concorrência ampla. Além das redes, a franquia disputa com lojas de departamento, supermercados e venda online, que oferecem roupa infantil a preços baixos.
- Retorno mais lento. As redes que informam prazo falam em 18 a 48 meses, porque parte do capital fica imobilizada em mercadoria.
- Concentração. A Piticas tem 439 das 1.129 unidades do segmento na base, e as grandes redes disputam os mesmos shoppings.
- Redes com poucas lojas. Várias marcas da base têm menos de 15 unidades ou nenhuma informada, o que dá menos histórico para avaliar.
Para quem faz sentido
Combina com quem tem experiência ou afinidade com varejo de moda, gosta de montar vitrine e acompanhar vendas por modelo e tamanho, e tem capital de giro para comprar coleções antes de vendê-las. Quem mora em cidade pequena deve procurar redes com formato pensado para isso, como a BB Básico, que informa ter loja slim para cidades de até 50 mil habitantes.
Perguntas para fazer à franqueadora
- Qual é o investimento total, incluindo o estoque inicial e o capital de giro?
- A compra de coleção é obrigatória? Qual é o pedido mínimo por estação?
- Posso devolver ou trocar peças que não venderam?
- Sobre qual base incidem os royalties, e existe margem embutida no preço de compra?
- A marca vende online ou em multimarcas na minha região? Como isso afeta minha loja?
- Qual é o raio de exclusividade?
- Quantas lojas fecharam nos últimos dois anos, e por quê?
Pela Lei 13.966/2019, a Circular de Oferta de Franquia deve ser entregue pelo menos 10 dias antes da assinatura do contrato ou de qualquer pagamento. Peça a lista de franqueados atuais e dos que saíram, e converse com eles sobre sobras de estoque.
Como decidir
Escolha três marcas com posicionamento parecido, básico, marca de confecção ou moda licenciada, e compare investimento, forma de remuneração, regras de compra de coleção e prazo de retorno. O ranking das melhores franquias de moda infantil ajuda a montar essa lista.