Franquia de seguros pode valer a pena para quem gosta de vender, tem rede de contatos e paciência para construir uma carteira de clientes ao longo de anos. O investimento é baixo, mas a renda depende quase toda do esforço comercial do franqueado. Este guia reúne os pontos a favor, os riscos e as perguntas que você deve fazer antes de escolher uma marca da lista de franquias de seguros.
Pontos a favor
- Investimento de entrada baixo. Na base da LBF, nenhuma das corretoras com valor publicado na lista do segmento exige mínimo acima de R$ 50 mil, e dez delas começam em até R$ 20 mil.
- Receita recorrente. Seguro de automóvel, residência e vida é renovado todo ano. Cliente bem atendido tende a renovar, e cada renovação gera nova comissão.
- Sem estoque e com estrutura enxuta. Não há mercadoria parada nem equipamento caro. Muitas redes permitem trabalhar de casa.
- Produtos com demanda constante. Quem tem carro, imóvel financiado ou empresa precisa de seguro, e várias modalidades são exigidas em contratos.
- Rede consolidada para comparar. O segmento tem marcas grandes, como Seguralta Bolsa de Seguros, com 1.625 unidades, e opções menores com custo fixo baixo, como Bidoncred e Quisto.
Riscos e pontos de atenção
- Renda depende de prospecção. Sem venda não há comissão. Nos primeiros meses, a carteira é pequena e o faturamento também.
- Concorrência ampla. Você disputa clientes com corretores independentes, bancos, seguradoras que vendem direto e plataformas digitais de cotação.
- Divisão da comissão. Em várias redes, parte da comissão fica com a franqueadora. Royalties percentuais, como os de 15% a 26% informados pela Touareg, reduzem a margem conforme a carteira cresce.
- Exigências regulatórias. A corretagem de seguros é regulada pela Susep. Habilitação, registro e regras de venda precisam ser cumpridos, e erros podem gerar problemas com clientes e seguradoras.
- Prazos de retorno muito curtos merecem cautela. Algumas marcas informam retorno em poucos meses, como 2 a 5 meses na Bem Seguros e Créditos. Isso depende de vendas rápidas e precisa ser confirmado com franqueados reais.
- Marcas sem unidades na base. Algumas redes aparecem com zero unidades em operação na LBF. Não é necessariamente um problema, mas significa menos histórico para avaliar.
Para quem faz sentido
O perfil que costuma se dar bem é comercial: gosta de prospectar, faz follow-up, mantém relacionamento e não depende de movimento de loja. Pessoas que já trabalham com vendas, imóveis, concessionárias ou contabilidade tendem a ter vantagem, porque já têm uma base de contatos. Quem procura um negócio em que o cliente chega sozinho à porta deve olhar outros segmentos.
Perguntas para fazer à franqueadora
- Com quantas seguradoras a rede tem parceria, e quais?
- Qual percentual da comissão fica comigo, e qual fica com a rede? Isso muda nas renovações?
- Os royalties são fixos ou percentuais? Sobre qual base o percentual é calculado?
- Preciso ter habilitação própria de corretor e registro na Susep, ou atuo sob o registro da rede?
- A rede fornece contatos de clientes ou toda a prospecção é minha?
- Se eu sair da rede, a carteira de clientes fica comigo ou com a franqueadora?
- Posso falar com franqueados que estão na rede há mais de três anos?
A pergunta sobre a propriedade da carteira é especialmente importante, porque a carteira é o principal patrimônio que você vai construir.
Pela Lei 13.966/2019, a franqueadora deve entregar a Circular de Oferta de Franquia pelo menos 10 dias antes da assinatura do contrato ou de qualquer pagamento. Os dados da LBF reúnem o que as marcas e os portais divulgam, e tudo deve ser conferido nesse documento.
Como decidir
Escolha três ou quatro redes com modelos diferentes, por exemplo uma sem royalties, uma com valor fixo e uma com percentual, e simule quanto sobraria para você com a mesma carteira em cada uma. Os valores de entrada estão em quanto custa abrir uma franquia de seguros, e o porte de cada marca, nas melhores franquias de seguros.