Prazo de retorno, também chamado de payback, é o tempo que o negócio leva para devolver ao franqueado o dinheiro investido. É um dos números mais citados pelas franqueadoras e um dos mais mal interpretados por quem pesquisa. Este guia explica como o prazo é calculado, por que os números variam tanto e como fazer a sua própria estimativa.
Como o prazo de retorno é calculado
A conta básica é simples: divide-se o investimento total pelo lucro mensal que a unidade gera. Se o investimento equivale a 20 meses de lucro, o retorno leva cerca de 20 meses.
Na prática, a conta tem nuances:
- Lucro, não faturamento. O que importa é o que sobra depois de todos os custos, inclusive royalties, impostos e o seu pró-labore.
- Os primeiros meses são diferentes. A unidade leva tempo para ganhar movimento, e meses de prejuízo alongam o prazo.
- O investimento inclui o capital de giro consumido até o equilíbrio.
Ponto de equilíbrio não é retorno
Ponto de equilíbrio é o momento em que o faturamento cobre todas as despesas do mês. A partir daí, o negócio deixa de consumir caixa, mas ainda não devolveu o investimento. O retorno vem depois, com a soma dos lucros dos meses seguintes. Confundir os dois leva a expectativas erradas.
O que as maiores redes informam
Na base da LBF, que reúne o que as marcas e os portais de franchising divulgam, 18 das 20 maiores redes informam prazo de retorno. Os números variam muito:
- Gazin Semijoias: de 1 a 3 meses.
- Prudential: de 5 a 12 meses.
- Colchões Ortobom: de 12 a 18 meses.
- Take: de 12 a 24 meses.
- Seguralta: de 12 a 36 meses.
- Cacau Show e Kumon: de 18 a 24 meses.
- O Boticário, AM/PM e Jet Oil: de 18 a 36 meses.
- Odontocompany: 24 meses.
- Óticas Carol: de 24 a 48 meses.
- McDonald's: de 24 a 84 meses.
Duas observações. Primeiro, faixas largas, como os 24 a 84 meses do McDonald's, mostram que o resultado depende muito do ponto e do formato. Segundo, prazos muito curtos costumam vir de modelos de investimento pequeno, em que o ganho em reais também é menor.
Por que o prazo divulgado pode não se repetir com você
- É uma estimativa da franqueadora, em geral baseada em médias da rede ou em cenários favoráveis.
- O ponto muda tudo. Aluguel alto ou fluxo baixo alongam o prazo.
- A sua gestão conta. Equipe, controle de custos e atendimento fazem diferença.
- O que entra no investimento varia. Se o valor divulgado não inclui capital de giro, o prazo real tende a ser maior.
- O seu salário. Se o cálculo não desconta pró-labore, o retorno parece mais rápido do que é.
Como fazer a sua própria estimativa
- Some o investimento total real: taxa, obra, equipamentos, estoque e capital de giro.
- Peça a franqueados em operação, em cidades parecidas com a sua, o faturamento médio e os custos mensais.
- Monte uma projeção mês a mês, com vendas crescendo aos poucos no primeiro ano.
- Desconte royalties, marketing, impostos, folha, aluguel e o seu pró-labore.
- Some os lucros mês a mês até igualar o investimento.
- Faça três cenários: pessimista, realista e otimista.
O guia de custos mensais de uma franquia ajuda a listar tudo o que sai do caixa, e o de capital de giro explica quanto reservar até o equilíbrio.
Prazo curto ou longo: o que preferir
Prazo curto é bom, mas não é o único critério. Um negócio que se paga rápido e gera pouco lucro depois pode valer menos do que um que demora mais e mantém resultado sólido por muitos anos. Compare também a duração do contrato: se o prazo de retorno estiver próximo do fim do contrato, sobra pouco tempo para lucrar antes da renovação.
Confirme antes de assinar
Os prazos citados aqui são os divulgados pelas marcas e devem ser confirmados na Circular de Oferta de Franquia, que pela Lei 13.966/2019 deve ser entregue pelo menos 10 dias antes do contrato ou de qualquer pagamento. Use a lista de franqueados e ex-franqueados da Circular para perguntar quanto tempo eles levaram de fato. O roteiro de perguntas para fazer a franqueados ajuda nessa conversa, e a lista de franquias da LBF mostra o prazo informado por cada marca.