Franquia de conveniência pode valer a pena para quem tem acesso a um bom ponto e está disposto a gerir uma operação de varejo com horário estendido. O segmento tem redes muito grandes e processos maduros, mas a margem depende de controle diário. Este guia reúne os pontos a favor, os riscos e as perguntas para fazer antes de assinar com qualquer marca da lista de franquias de conveniência.
As informações sobre as redes vêm da base da LBF, com o que as marcas e os portais de franchising divulgam. Confirme tudo na Circular de Oferta de Franquia.
Pontos a favor
- Redes grandes e testadas. AM/PM, BR Mania e Shell Select têm mais de mil unidades cada uma na base. Processos de compra, layout e mix de produtos já foram testados em muitas lojas.
- Fluxo que vem do ponto. Em posto, hospital, condomínio ou área de grande circulação, o cliente já está ali. A loja não precisa criar demanda do zero.
- Compra recorrente. Bebidas, snacks, café e itens de última hora são comprados com frequência, o que dá regularidade ao faturamento.
- Transparência acima da média. 9 das 11 marcas da base divulgam investimento, o que facilita a comparação inicial.
- Opções de entrada menores. Além das lojas de posto, há modelos como a Take, a partir de R$ 15 mil, e mercadinhos de proximidade a partir de R$ 35 mil.
Riscos e pontos de atenção
- Dependência do ponto. Em loja de posto, o movimento depende do posto. Se o posto perde clientes ou troca de bandeira, a loja sente. Entenda o contrato que liga as duas operações.
- Operação 24 horas. Equipe em três turnos, adicional noturno, rotatividade e risco de assalto. É uma das rotinas mais exigentes do varejo.
- Margem apertada em parte do mix. Muitos itens têm preço de referência conhecido pelo cliente. O resultado vem do giro e de itens de maior margem, como café e lanches.
- Perdas. Validade, quebra e furto precisam de controle constante.
- Concorrência de supermercados e aplicativos. Mercados de bairro, atacarejos e entregas rápidas por aplicativo disputam a mesma compra de última hora.
- Redes sem histórico. Seis das 11 marcas da base não informam unidades em operação. Rede nova pode ter boas condições, mas exige verificar o suporte com mais cuidado.
Para quem faz sentido
O perfil que costuma se dar bem gosta de varejo, tem disciplina com números (estoque, perdas, escalas) e consegue estar presente na loja ou ter um gerente de confiança. Para as lojas de posto, faz mais sentido para quem já tem relação com o posto ou com a bandeira. Quem quer um negócio de baixo envolvimento pode olhar modelos enxutos, mas precisa entender que são negócios de outra natureza.
Perguntas para fazer à franqueadora
- Preciso ser o dono do posto ou ter contrato com a bandeira para abrir a loja?
- O investimento anunciado inclui equipamentos de refrigeração, food service e estoque?
- As compras são obrigatórias por meio da rede? Posso incluir produtos de fornecedores locais?
- Os royalties incidem sobre o faturamento bruto ou líquido? Há outras taxas mensais?
- Qual é o faturamento médio de lojas com fluxo parecido com o do meu ponto?
- A loja precisa funcionar 24 horas? Posso começar com horário reduzido?
- Quantas lojas fecharam ou mudaram de dono nos últimos dois anos?
Pela Lei 13.966/2019, a Circular de Oferta de Franquia deve ser entregue pelo menos 10 dias antes da assinatura do contrato ou de qualquer pagamento. Use esse prazo para ler o documento e visitar lojas da rede em horários diferentes.
Como decidir
O ponto vem antes da marca. Se você já tem acesso a um posto, condomínio ou local de grande circulação, compare as redes que aceitam esse tipo de ponto. Os valores de cada formato estão em quanto custa abrir uma franquia de conveniência, e o ranking das melhores franquias de conveniência mostra o porte de cada uma. Valide os números com franqueados que operam em locais parecidos com o seu.