Franquia de delivery pode valer a pena, mas a resposta depende de qual delivery você está avaliando. Operar um aplicativo de pedidos em uma cidade do interior é um trabalho de vendas; tocar uma cozinha que só entrega é um trabalho de produção. Este guia reúne os pontos a favor, os riscos e as perguntas que você deve fazer antes de assinar com qualquer marca da lista de franquias de delivery.
Pontos a favor
- Hábito consolidado. Pedir comida, bebida e compras pelo celular virou rotina, inclusive fora das capitais.
- Entrada barata nos modelos de plataforma. Redes como UaiRango, Ceofood e Delivery Much divulgam investimento abaixo de R$ 20 mil, sem ponto comercial.
- Sem salão, menos custo fixo. Cozinhas de entrega dispensam área de atendimento, decoração e garçons, e podem ficar em ruas com aluguel menor.
- Redes com escala. O segmento tem várias marcas com mais de 100 unidades, o que indica modelos já testados em muitas cidades.
- Foco no interior. Parte das plataformas regionais nasceu para atender cidades onde os grandes aplicativos têm menos presença, o que abre espaço para quem conhece a praça.
Riscos e pontos de atenção
- Concorrência dos aplicativos nacionais. Uma plataforma regional disputa restaurantes e consumidores com empresas muito maiores. Se uma delas intensificar a atuação na sua cidade, o negócio muda.
- Margem apertada nas cozinhas. Comissões de aplicativos, embalagens e custo de entrega reduzem o lucro por pedido.
- Dependência de vendas em plataformas. Nos modelos de aplicativo, sem prospecção constante de restaurantes e de usuários, a receita não cresce.
- Royalties que pesam. No segmento há percentuais de até 20% do faturamento, e um caso registrado de 50% do faturamento bruto que precisa ser explicado pela franqueadora. Os números estão em quanto custa abrir uma franquia de delivery.
- Avaliações públicas. Um atraso ou um pedido errado vira nota baixa no aplicativo, e a nota afeta as vendas seguintes.
- Informação incompleta. Das 38 marcas da base, só 16 divulgam investimento. Várias redes aparecem com unidades ainda não informadas, o que exige ainda mais checagem.
Para quem faz sentido
Os dois modelos pedem perfis diferentes.
Nos aplicativos regionais, se dá bem quem gosta de vender, conhece os comerciantes da cidade e aceita trabalhar com metas. É um negócio de relacionamento: o franqueado visita restaurantes, negocia taxas e cuida da divulgação local. Capital baixo, esforço comercial alto.
Nas cozinhas de delivery, o perfil é de quem tem disposição para uma operação de alimentação, com controle de estoque, de equipe e de qualidade, em horários de almoço, noite e fim de semana. O capital é maior, a rotina é de restaurante.
Quem procura renda passiva ou não gosta de acompanhar números todos os dias tende a se frustrar nos dois casos.
Perguntas para fazer à franqueadora
- O que exatamente o franqueado faz no dia a dia, e quantas horas isso exige?
- Sobre o que incidem os royalties: faturamento bruto, comissões recebidas ou compras?
- Qual é o tamanho do território, e há exclusividade?
- Quem paga e quem organiza as entregas?
- Que parte das vendas das cozinhas vem dos grandes aplicativos, e quanto eles cobram?
- Quantas unidades fecharam nos últimos dois anos, e por quê?
- Posso falar com franqueados de cidades parecidas com a minha?
Por lei, a franqueadora precisa entregar a Circular de Oferta de Franquia pelo menos 10 dias antes da assinatura do contrato ou de qualquer pagamento. Os dados deste guia vêm da base da LBF, com o que as marcas e os portais divulgam; confira tudo na circular e com quem já opera.
Como decidir
Primeiro decida entre vender uma plataforma e produzir comida. Depois, monte uma lista curta com três ou quatro marcas do modelo escolhido, compare investimento, royalties e prazo de retorno, e converse com franqueados em cidades do seu porte. O ranking das melhores franquias de delivery e as fichas de cada rede na LBF trazem os dados para começar.