Quanto custa abrir uma franquia de telecomunicação depende de uma pergunta: você vai vender serviços ou operar uma rede? Na base da LBF, os valores divulgados vão de R$ 2 mil, em modelos comerciais muito enxutos, a R$ 4 milhões, em uma operação regional de telecomunicações. Este guia explica essa diferença.
Faixas de investimento no segmento
Das 11 marcas da lista de franquias de telecomunicação da LBF, apenas 4 divulgam o investimento. Pelo valor mínimo, a distribuição fica assim:
- Até R$ 100 mil: 2 marcas.
- R$ 100 mil a R$ 250 mil: nenhuma.
- R$ 250 mil a R$ 1 milhão: 1 marca.
- Acima de R$ 1 milhão: 1 marca.
Com tão poucas marcas informando, não dá para falar em valor típico do segmento. Os números vêm da base da LBF, com o que as marcas e os portais divulgam, e precisam ser confirmados na Circular de Oferta de Franquia.
Os quatro valores divulgados
- Oi: R$ 2.025. É um valor muito abaixo de qualquer operação com loja ou equipe, o que sugere um modelo de parceria comercial. Pergunte exatamente o que esse número cobre.
- Cidadenoar: de R$ 2 mil a R$ 20 mil. A ficha informa taxa de franquia de R$ 4,9 mil a R$ 49 mil, acima do próprio teto de investimento; peça à rede que esclareça como os dois valores se somam.
- Atmo Mídia Digital Corporativa: de R$ 390 mil a R$ 590 mil.
- Algar Telecom: de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões.
Marcas como Agility, Smartcomm e Contel não divulgam investimento na base.
O que compõe o investimento em cada modelo
Revenda e parceria comercial. O custo inicial é baixo porque o franqueado não constrói rede: vende planos e serviços de uma operadora ou empresa parceira. Entram taxa de adesão, escritório ou ponto de venda simples, material de divulgação, veículo para visitas e capital de giro até as comissões começarem a entrar.
Operação regional de rede. É o caso descrito pela Algar Telecom, em que o franqueado responde por expansão de rede, atendimento e cobrança. Aqui o investimento inclui:
- Infraestrutura de rede: cabos de fibra, postes ou dutos, equipamentos de distribuição e de cliente.
- Licenças e projetos: autorizações da Anatel e uso de postes das distribuidoras de energia.
- Equipe técnica e veículos: instalação, manutenção e plantão.
- Atendimento e sistemas: loja, central de atendimento, sistema de cobrança.
- Capital de giro longo: a rede é construída antes de ter assinantes suficientes para pagá-la.
Soluções para empresas e mídia. Modelos como Atmo (TV corporativa e sinalização digital) investem em telas, players, software e equipe de instalação. Serviços como mensagens corporativas ou auditoria pedem mais em equipe comercial que em equipamento.
Custos mensais
- Royalties: só a Cidadenoar informa, com 20% mais um valor fixo. Nas demais, pergunte se há royalty, divisão de receita ou se a franqueadora ganha na venda do serviço.
- Equipe comercial: em quase todos os modelos, a receita depende de vendedores em campo.
- Manutenção de rede: só em quem opera infraestrutura, com plantão técnico.
- Link de internet e custos de interconexão: para provedores.
- Inadimplência e cancelamentos: em serviços por assinatura, afetam a receita todo mês.
Prazo de retorno
Só duas marcas informam: Oi, de 22 a 33 meses, e Cidadenoar, 6 meses. A Algar Telecom, com o maior investimento, não divulga o prazo na base. Em negócios de infraestrutura, o retorno costuma ser mais longo, porque a rede precisa ser paga pelos assinantes ao longo dos anos.
Como reduzir o investimento
- Começar pela revenda: aprender o mercado vendendo serviços antes de investir em rede.
- Atuar só com empresas: modelos consultivos exigem pouca estrutura física.
- Escolher região com rede pronta: onde a operadora parceira já tem cobertura, não é preciso construir.
Para comparar as marcas por porte, veja as melhores franquias de telecomunicação. Para avaliar os riscos, leia franquia de telecomunicação vale a pena?.