Franquia de chocolate pode valer a pena para quem aceita um negócio fortemente sazonal, gosta de varejo e está disposto a trabalhar mais justamente nas datas em que os outros descansam. É um produto querido, com marcas conhecidas, mas com um calendário que exige planejamento de caixa. Este guia reúne os pontos a favor, os riscos e as perguntas para fazer às marcas da lista de franquias de chocolate.
Pontos a favor
- Produto de compra por impulso e de presente. Chocolate vende no dia a dia e em datas comemorativas, de aniversários a Dia dos Namorados.
- Marcas muito conhecidas. A Cacau Show tem 4.000 unidades na base da LBF, e a Kopenhagen, 523. O cliente já conhece o produto antes de a loja abrir.
- Operação simples. Na maior parte das redes não há cozinha: o produto chega pronto da fábrica, e a loja cuida de venda, estoque e atendimento.
- Equipe pequena. Fora das datas fortes, uma loja ou quiosque funciona com poucos funcionários.
- Opções de entrada mais baixa. Duas redes que divulgam investimento partem de menos de R$ 100 mil: Cacau Show e Chocolates Brasil Cacau.
Riscos e pontos de atenção
- Sazonalidade forte. A Páscoa concentra uma fatia grande das vendas do ano. Se o planejamento falhar, sobra estoque de ovos ou falta produto no pico.
- Calor. Chocolate derrete. Em regiões quentes, a climatização da loja e o transporte são pontos críticos, e o verão costuma ser mais fraco.
- Dependência do fornecedor. A franqueadora define produto, preço de compra e, muitas vezes, o preço de venda. Sua margem depende de decisões que não são suas.
- Mercado muito concentrado. Na base, as três maiores redes somam 95% das unidades do segmento. Em muitas cidades, o mesmo shopping já tem mais de uma loja dessas marcas.
- Poucas informações públicas. Só 6 das 16 marcas divulgam investimento, e a forma de remuneração das franqueadoras nem sempre é clara. A ficha da Kopenhagen, por exemplo, traz 40% no campo de royalties, número que precisa ser explicado pela rede.
A composição dos custos está em quanto custa abrir uma franquia de chocolate.
Para quem faz sentido
O perfil que se dá bem gosta de varejo, de vitrine e de atendimento. Tem disciplina financeira para guardar o caixa dos meses fortes e atravessar os fracos, e disponibilidade para estar na loja em feriados e datas comemorativas, quando o movimento explode.
Quem quer um produto de maior valor e um público mais seletivo pode olhar para as redes de chocolate fino, como Lugano, Xôk's e Caracol. Quem prefere um negócio com fluxo diário mais constante pode avaliar marcas que juntam chocolate e café, como a Gaafer Chocolateria, sabendo que o investimento é maior.
Perguntas para fazer à franqueadora
- Qual é o investimento total, incluindo obra, climatização, estoque inicial e capital de giro para a primeira Páscoa?
- Como a franqueadora é remunerada: royalties, margem sobre o produto ou os dois?
- O preço de venda é definido pela rede? Posso fazer promoções locais?
- Existe estoque mínimo obrigatório? O que acontece com produtos que sobram depois da Páscoa?
- Qual é o faturamento médio de uma loja em um mês comum e em março e abril?
- Quantas lojas da marca existem num raio de poucos quilômetros do ponto que estou avaliando?
- Quantas unidades fecharam nos últimos dois anos?
Pela Lei 13.966/2019, a Circular de Oferta de Franquia deve ser entregue pelo menos 10 dias antes da assinatura do contrato ou de qualquer pagamento. Os dados deste guia vêm da base da LBF, que reúne o que as marcas e os portais divulgam, e devem ser conferidos nesse documento.
Como decidir
Defina o tipo de loja que combina com seu capital e com sua cidade: rede de grande alcance, chocolate fino ou chocolate com café. Depois compare duas ou três marcas do mesmo grupo, pedindo o fluxo de caixa mensal de uma unidade real. O ranking das melhores franquias de chocolate traz os dados para começar.